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Em entrevista, Maduro diz que ‘prevaleceu a soberania popular’ na Venezuela e que crise com o Brasil é ‘página virada’

Em entrevista ao Opera Mundi, presidente defendeu economia e afirmou que bloqueio empurrou país para políticas próprias

28/01/2025 às 10h27
Por: Redação Fonte: Brasil de Fato
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Em entrevista, Maduro diz que ‘prevaleceu a soberania popular’ na Venezuela e que crise com o Brasil é ‘página virada’

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, rebateu as críticas sobre “fraude” nas eleições presidenciais e disse que essas acusações não são “novas na política venezuelana”. Em entrevista ao jornalista Breno Altman, do Opera Mundi , o mandatário venezuelano tornou-se defensor do sistema eleitoral do país e afirmou que o número de eleições já realizadas demonstra isso.

 

"Esta não é a primeira vez, não há nada de novo. Fomos acusados, desde o início da Revolução Bolivariana, de algo impossível de fazer. A Venezuela construiu um sistema eleitoral absolutamente auditável. Diga-me: em que parte do mundo existe um sistema eleitoral que é auditado 15 vezes 15 auditorias Nosso povo sabe, como as instituições sabem, o Supremo Tribunal de Justiça fez uma avaliação tremenda do processo e ficou demonstrado, tal como nas 31 eleições anteriores que realizamos, que se trata de um processo em que prevaleceu a soberania popular", disse o presidente.

 

Durante a conversa, Maduro também voltou a criticar os governos estrangeiros, como os dos Estados Unidos, não reconhecerem sua vitória, legitimada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país. “Todos os acordos que fizemos [com os EUA] foram totalmente violados e desrespeitados por eles, nunca foram cumpridos, apenas serviram de pretexto para preparar mais uma vez o terreno para a desestabilização da Venezuela”, afirmou Maduro.

"[O] nosso povo sabe, as instituições sabem, o STJ sabe. Ficou demonstrado, tal como nas 31 eleições anteriores que realizamos - realizamos 31 eleições em 25 anos, um recorde mundial -, ficou demonstrado, que se trata de um processo em que prevaleceu a soberania popular", explicou o mandatário.

O presidente venezuelano também falou sobre uma guinada para a extrema direita das redes sociais, além do papel das ferramentas na tentativa de golpe de Estado contra o seu governo, ao dizer que, na Venezuela, "nada menos que US$ 1 bilhão (R$ 6,1 bilhões) foi investido pela ‘oligarquia tecnológica’, donos das grandes redes [sociais]”.

Segundo ele, "Facebook, Instagram, X, TikTok, conquistaram uma situação nacional e internacional que defenderam ser infalível. O primeiro golpe ciberfascista da história moderna da América Latina, e poderia dizer da humanidade, e o derrotamos em 48 horas, e consolidamos a vitória".

Relação com o Brasil

Maduro também falou sobre a crise diplomática envolvendo o governo venezuelano e o brasileiro nos últimos meses . Segundo o presidente, a questão é uma “página que precisa ser virada”. 

"Penso que temos de virar a página e olhar para o futuro e abrir caminho, porque a Venezuela pertence aos Brics há 200 anos. Aquele que pensou e concebeu os Brics… Brics escreve-se com B de Brasil, não é? Nós conversamos em espanhol que B é o B de Bolívar", afirmou.

A cúpula do Brics realizada em Kazan, na Rússia, ficou marcada por uma tensão diplomática envolvendo Brasil e Venezuela após o governo brasileiro vetar a entrada dos venezuelanos no bloco como Estado parceiro. A medida esfriou ainda mais uma relação que já não vai bem desde as eleições no país vizinho. 

 

O veto aos venezuelanos não foi justificado publicamente pelo governo de Lula. O presidente não comparou ao evento e invejou o chanceler, Mauro Vieira, para chefiar a delegação. Nenhum deles, no entanto, explicou porque barrou a entrada dos venezuelanos no bloco. Caracas afirma que a decisão foi uma “punhalada nas costas” e que a medida de “ingerência” do governo brasileiro é uma forma de interferir na política local.

A temperatura entre os dois só baixou depois que Maduro elogiou a declaração de Lula, que afirmou conformidades com as instituições venezuelanas. Segundo Maduro, a fala foi uma reflexão “sábia” do petista e completou: “Ponto a favor de Lula”. 

Reforma constitucional

Durante a entrevista, Nicolás Maduro também falou sobre a reforma constitucional, um dos projetos fundamentais que pretende levar adiante no seu governo.

“A reforma constitucional, em primeiro lugar, é um grande diálogo nacional, é um grande debate nacional. Na Venezuela não se pode reformar uma única palavra da Constituição sem debater com o povo e sem um referendo.

O Parlamento venezuelano pode, segundo as leis do país, reformar a Constituição, "mas tem de realizar um referendo [popular] com a reforma que estabelece". “A soberania do povo é intransmissível, como diz a nossa Constituição, e o poder constituinte reside no povo; por isso é o povo que pode fazer e mudar uma Constituição”, afirmou Maduro.

Sobre as declarações dos governos opositores sobre a reforma constitucional no país, que argumentam que ela acabaria com a democracia representativa e eleitoral, o presidente disse que "a oposição e a direita não podem dizer que eu vou acabar com a democracia representativa e eleitoral, porque [ eles] dizem que ela não existe, portanto, é uma contradição deles próprios".

Para a reforma, Maduro afirmou que propõe “três questões principais: uma, a expansão da democracia, a democracia verdadeira, social, direta, dando poder ao povo, para sempre superar a democracia das elites”.

"Este é um seguro democrático que estabelecemos em 1999, por proposta do Comandante Chávez, eu fui constituinte em 1999, e por isso todo esse debate sobre uma reforma vai ser feita com o povo, buscando o consenso da sociedade, sobre as grandes mudanças que o Estado, a sociedade e a economia precisam", finalizou.

Controle da economia venezuelana

Maduro também foi questionado sobre as críticas às “políticas liberais” adotadas pelo seu governo. Se nos primeiros seis anos Maduro tentou controlar os preços dos produtos , ampliar as missões e subir a estratégia de forma constante, no segundo mandato ele promoveu uma abertura de capital, segurou os gastos públicos e controlou a inflação. 

Com essas medidas, o governo conseguiu reduzir o aumento dos preços e controlar o câmbio do país. Segundo Maduro, o contexto de uma guerra econômica imposta pelas avaliações dos Estados Unidos faz diferença para pensar e estabelecer políticas econômicas próprias no país. 

"Depois de um bloqueio que se mantém, você tem que ver se você produziu ou não produziu. Nós tivemos o cuidado de construir o nosso próprio plano econômico e posso dizer com orgulho, como disse no dia 10 de janeiro quando tomei posse, que o nosso pensamento econômico nesta fase é Made in Venezuela, é nosso, aqui nós não aplicamos políticas nem do Fundo Monetário Internacional nem do Banco Mundial, não temos nada a ver com o neoliberalismo, nem o do fascista Milei, nem o neoliberalismo ao estilo do Fundo Monetário. Aqui na Venezuela tudo o que se faz em diálogo nacional, temos grandes consensos em matéria econômica e podemos ter o orgulho de ter construído, no meio da mais terrível guerra econômica feita contra nós", afirmou.

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